Bem-estar e Saúde / MÁRCIO VICTOR

Eleito voz do Carnaval, cantor enfrenta diagnóstico sério às vésperas da folia: ‘Não tem cura’

Cantor já conquistou a música do Carnaval diversas vezes e divide o topo da lista de vitórias com Ivete Sangalo

Carnaval
Circuito Dodô (Barra-Ondina) do Carnaval de Salvador (Foto: Divulgação/Secom-PMS)

Prestes a iniciar a temporada de shows para o Carnaval 2026, o cantor Márcio Victor, da banda Psirico, passou por um grande susto em novembro. Ele deu entrada no hospital com sintomas de infarto e precisou passar por uma cirurgia de cateterismo após avaliação médica e uma bateria de exames.

CARAS Brasil entrevista o Dr. Arthur Felipe Giambona Rente, que explica que o procedimento é indicado quando há suspeita ou confirmação de obstrução nas artérias coronárias (as que irrigam o músculo do coração), especialmente se o paciente apresenta sintomas como dor no peito (angina), falta de ar ou outros sinais de má circulação cardíaca.

“Quando o cateterismo é feito de urgência (ex: suspeita de infarto), o paciente pode já estar instável, com risco de complicações como arritmias, insuficiência cardíaca, complicações vasculares ou necessidade de suporte intensivo. Nesses casos, a UTI permite monitorização contínua, controle da pressão, do ritmo cardíaco, da oxigenação e intervenção imediata, se necessário”, afirma.

“Em um caso como o do cantor, com dor, mal-estar e necessidade de cateterismo de urgência, a internação em UTI costuma ser uma medida de precaução padrão, até que o quadro esteja estabilizado e sem riscos adicionais”, complementa o especialista.

Para o coração, dor no peito e mal-estar (que pode incluir suor, náusea, fraqueza, sensação de desmaio, falta de ar) podem indicar isquemia cardíaca, ou seja, uma redução grave do fluxo de sangue (e oxigênio) para uma parte do músculo cardíaco.

“Essa situação exige atenção imediata porque a isquemia pode levar à lesão ou morte do tecido cardíaco (o que configura um infarto). Sintomas intensos e súbitos, especialmente associados a fatores de risco (hipertensão, sedentarismo, histórico familiar, etc.), aumentam a probabilidade de evento grave, com necessidade de intervenção urgente. Portanto, ‘dor no peito e mal-estar’ não é um simples desconforto, pode ser sinal de uma emergência cardíaca”, alerta.

Como reverter quadro de artéria entupida: cirurgia, hábitos saudáveis ou ambos

No caso da intervenção imediata quando há obstrução significativa numa artéria coronária, o procedimento preferido é a angioplastia coronária (realizada no mesmo momento do cateterismo). O vencedor da música do Carnaval de 2014 (Lepo Lepo) precisou passar pelo procedimento de cateterismo.

“Muitas vezes com a colocação de um stent, uma ‘minitela’ metálica que mantém a artéria aberta e permite o retorno do fluxo sanguíneo. Esse tipo de desobstrução costuma restabelecer a circulação de forma rápida e eficaz e, em muitos casos, evita o infarto ou limita os danos”, diz.

“Mas a correção do entupimento não tira a necessidade de mudança no estilo de vida: alimentação saudável, controle de fatores de risco (colesterol, pressão, glicemia), prática regular de atividade física, evitar tabagismo etc. são fundamentais para prevenir novas obstruções e manter o stent/vaso saudável. Médicos e cardiologistas costumam recomendar que, após a fase aguda e com liberação médica, o paciente adote essas mudanças como parte da ‘segunda fase’ do tratamento”, acrescenta.

Segundo o médico, a cirurgia corrige a emergência, mas os hábitos saudáveis ajudam a evitar que o problema volte e a promover a saúde a longo prazo.

Esse problema tem “cura”?

De acordo com o médico, isso depende: se a obstrução foi tratada com sucesso (angioplastia e stent, por exemplo), o fluxo de sangue para o coração pode ser restaurado e o risco imediato controlado. “Não há ‘cura’ garantida para a doença de base (geralmente aterosclerose ou propensão ao entupimento)”, diz.

“O que o cardiologista busca é controle da doença: por meio de medicações (quando indicadas), controle de fatores de risco, estilo de vida saudável e acompanhamento regular. Isso permite que a pessoa viva com qualidade e reduza a chance de novos eventos. Em outras palavras: o desfecho pode ser muito bom, com retorno à vida normal, desde que o paciente siga rigorosamente os cuidados a longo prazo”, finaliza.

Arthur Felipe Giambona Rente - CRM 176.752 Especialista em cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC MBA Gestão Hospitalar - Cardio-oncologia INCA/INC/SBC - Diretor Clínico Complexo Hospitalar de Clínicas de São Caetano do Sul - Cardiologista Hospital do coração Hcor - Cardiologista rede Dor São Luiz Preceptor internato de cardiologia Universidade Municipal de São Caetano do Sul - Pesquisador centro de pesquisa clinicas USCS - Curador cardiol mobile - Sociedade Brasileira de Cardiologia