Diagnóstico silencioso de Mariana Weickert acende alerta médico: ‘Vai interferir’

Mariana Weickert descobriu um problema de pele que poderia ter sido descoberto em fase inicial; médico revela que o uso de maquiagem dificulta avaliação

Mariana Weickert - Foto: Reprodução/ Instagram

Aos 43 anos, Mariana Weickert precisou desacelerar a rotina intensa de trabalho e família para colocar a própria saúde no centro das atenções. A modelo e apresentadora revelou recentemente que recebeu o diagnóstico de um carcinoma basocelular, um tipo de tumor de pele geralmente associado à exposição solar e que, segundo ela mesma destacou, poderia ter sido evitado com medidas preventivas simples. Ao compartilhar a descoberta nas redes sociais, Mariana aproveitou o momento para conscientizar o público sobre cuidados diários, exames regulares e a atenção aos pequenos sinais do corpo.

Quando a estética pode esconder sinais importantes

Mesmo pessoas habituadas a cuidar da aparência e da pele podem demorar a perceber alterações suspeitas. De acordo com Dr. Ramon Andrade de Mello, médico oncologista, o uso constante de maquiagem e produtos de alta cobertura pode, em alguns casos, dificultar a observação inicial de certas lesões, especialmente antes de uma avaliação profissional. No entanto, ele pondera que a influência desse hábito costuma ser limitada.

“O câncer de pele se manifesta com várias lesões que tem que ser de fato analisada pelo médico. Se ela vai para a consulta do dermatologista toda maquiada e isso cobre a lesão em si, de certa forma sim, isso vai interferir. Mas, via de regra, eu acredito que nem tanto, porque quando a pessoa tem suspeita de alguma coisa, quando ela identifica à noite, quando lava o rosto, antes de dormir, e aí, nesse caso, a paciente já vai saber identificar o que é a lesão suspeita e na hora da consulta, muito provavelmente, não vai estar de maquiagem. Então, acredito que não tem muita influência isso”.

Ainda assim, o caso de Mariana evidencia que a falta de percepção nem sempre está relacionada à estética. Segundo o especialista, regiões do corpo menos visíveis no dia a dia costumam ser negligenciadas, o que contribui para atrasos no diagnóstico. “Às vezes passa despercebido porque a pessoa não presta atenção, ou mesmo porque é numa área mais difícil de visualizar, como debaixo da axila, às vezes na região inguinal, na virilha. Então, áreas mais difíceis de a pessoa estar fazendo auto checagem constante, às vezes a pessoa pode não perceber. Mas, via de regra, é sempre importante, se notar alguma coisa diferente, procurar o médico”.

Sol forte, rotina urbana e prevenção diária

Em um país com alta incidência solar como o Brasil, a fotoproteção deve ir além dos dias de praia. O oncologista explica que mesmo em ambientes urbanos a exposição aos raios solares é suficiente para causar danos cumulativos à pele ao longo dos anos. Por isso, o uso diário de protetor é considerado uma regra básica de cuidado.

“Aqui no Brasil, realmente, o país como um todo tem uma exposição solar muito forte. Obviamente, lá no Nordeste, em cidades como Fortaleza, Terezina, São Luís, que são mais próximas do Equador, a exposição é maior, mas, de regra, pode se considerar para todo o Brasil. Eu sempre recomendo que as pacientes utilizem o protetor solar sempre, mesmo quando não estiverem na praia, principalmente o protetor solar de rosto, que ele protege contra lesões e contra o fotoenvelhecimento. E o protetor solar também de acordo com o fototipo de pele de cada um”.

Para quem vive da imagem, sob luzes intensas, câmeras e maquiagem frequente, o cuidado precisa ser ainda mais rigoroso. Segundo Dr. Ramon Andrade de Mello, a orientação é priorizar filtros solares com alto fator de proteção, especialmente para rosto, pescoço e orelhas, áreas constantemente expostas.

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Dr. Ramon Andrade de Mello (CRM-SP: 181245 RQE: 67356) Médico oncologista do Centro Médico Paulista High Clinic Brazil (São Paulo), vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, Pós-Doutor clínico no Royal Marsden NHS Foundation Trust (Inglaterra), pesquisador honorário da Universidade de Oxford (Inglaterra), pesquisador sênior do CNPQ (Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico), Brasil, vice-líder do programa de Mestrado em Oncologia da Universidade de Buckingham (Inglaterra), Doutor (PhD) em Oncologia Molecular pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (Portugal). Tem MBA em gestão de clínicas, hospitais e indústrias da saúde pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), São Paulo. É pesquisador e professor do Doutorado da Universidade Nove de Julho (UNINOVE), de São Paulo. Membro do Conselho Consultivo da European School of Oncology (ESO). O oncologista tem mais de 122 artigos científicos publicados, é editor de 4 livros de Oncologia, entre eles o Medical Oncology Compendium, Elsevier, de 2024. É membro do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, e do Centro de Diagnóstico da Unimed, em Bauru, SP. Instagram: @dr.ramondemello