Sabrina Sato expõe drama familiar e médico alerta: ‘Percepções dissonantes da realidade’

Diagnóstico de Omar Rahal, pai de Sabrina Sato reacendeu alerta sobre tumores silenciosos e a carga emocional que recai sobre quem cuida

Sabrina Sato e o pai - Reprodução Instagram

O diagnóstico tardio e a dificuldade de identificação precoce tornam o câncer de pâncreas uma das doenças mais desafiadoras na oncologia, realidade que atingiu a família de Sabrina Sato neste ano, quando seu pai, Omar Rahal, foi diagnosticado com a doença em agosto e passou por uma cirurgia para retirada do órgão. O caso mobilizou a apresentadora, que chegou a interromper as gravações de seu programa para acompanhá-lo no tratamento.

Diagnóstico

De acordo com o oncologista Dr. Ramon Andrade de Mello, a detecção precoce é um dos maiores obstáculos. “O câncer de pâncreas é uma doença que não tem rastreio pré-definido a nível internacional por guidelines e diretrizes. Além disso, a fase inicial é muito difícil de diagnosticar porque os sintomas não são específicos”. Por isso, ele aponta que histórico familiar ou síndromes genéticas associadas ao câncer devem acender um alerta. Nessas situações, “é muito importante você procurar o oncologista para fazer o rastreio do câncer o quanto antes possível”, recorrendo a exames como ultrassonografia e tomografia — embora “não exista um protocolo validado e estabelecido”, cabendo orientação individual do médico.

Impacto emocional

O especialista destaca ainda a dificuldade em confirmar o diagnóstico, o que impacta diretamente casos como o de Omar. “É uma doença que é difícil você conseguir obter biópsia, é muito importante você ver isso. E às vezes a gente até tem que começar a tratar os pacientes com câncer de pâncreas sem a biópsia”. Ele lembra que a biópsia líquida já está disponível na rede privada e permite identificar o tumor pelo DNA no sangue, evitando procedimentos invasivos.

Além da complexidade clínica, Dr. Ramon explica que famílias costumam viver um turbilhão emocional, o que interfere na tomada de decisões. “Todo mundo é o amor de alguém”, diz ele, ressaltando que, diante de um diagnóstico grave, “as emoções podem aflorar e as percepções podem ser dissonantes com a realidade”. Por isso, equilibrar expectativas e prognóstico é essencial.

Esse impacto emocional ficou evidente nas palavras de Sabrina ao homenagear o pai em seu aniversário, após meses de tratamento. Ela lembrou que, mesmo enfrentando desafios, Omar mostrou “a força que sempre guiou a nossa família”. A apresentadora descreveu o pai como porto seguro, generoso e presente, e agradeceu por sua coragem durante todo o processo.

Em cenários em que a cura é improvável, o oncologista reforça que intervenções de suporte são determinantes. “O atendimento psicológico multidisciplinar é fundamental”, afirma. Ele também destaca a importância do controle da dor, conduzido por profissional treinado, e do acompanhamento nutricional especializado para minimizar perda de peso. Segundo ele, “isso vai devolver um pouco de qualidade de vida para esses pacientes e vai fazer muita diferença”.

Enquanto Omar segue em recuperação após a cirurgia, as orientações do especialista ajudam a iluminar a complexidade do câncer de pâncreas e a importância do suporte integral — médico, emocional e familiar — no enfrentamento da doença.

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Dr. Ramon Andrade de Mello (CRM-SP: 181245 RQE: 67356) Médico oncologista do Centro Médico Paulista High Clinic Brazil (São Paulo), vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, Pós-Doutor clínico no Royal Marsden NHS Foundation Trust (Inglaterra), pesquisador honorário da Universidade de Oxford (Inglaterra), pesquisador sênior do CNPQ (Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico), Brasil, vice-líder do programa de Mestrado em Oncologia da Universidade de Buckingham (Inglaterra), Doutor (PhD) em Oncologia Molecular pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (Portugal). Tem MBA em gestão de clínicas, hospitais e indústrias da saúde pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), São Paulo. É pesquisador e professor do Doutorado da Universidade Nove de Julho (UNINOVE), de São Paulo. Membro do Conselho Consultivo da European School of Oncology (ESO). O oncologista tem mais de 122 artigos científicos publicados, é editor de 4 livros de Oncologia, entre eles o Medical Oncology Compendium, Elsevier, de 2024. É membro do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, e do Centro de Diagnóstico da Unimed, em Bauru, SP. Instagram: @dr.ramondemello