Moda / COLUNA

Louis Vuitton explora a redescoberta do prazer de vestir em nova coleção

Destaque na coluna Moda da Revista CARAS, escrita por Paula Martins, nova coleção da Louis Vuitton escolhe um caminho mais introspectivo

Foto: Getty Images

Ao transformar os apartamentos de verão recém-restaurados da rainha Ana (1601-1666), no Louvre, em passarela, Nicolas Ghesquière (54) encontrou um cenário que traduzia perfeitamente sua intenção para a temporada, que era o de vestir a intimidade.

O espaço, com afrescos monumentais, mármores reluzentes e curadoria que mescla mobiliário do século XVII a peças Art Déco selecionadas pela designer Marie-Anne Derville (39), serviu como partida para um desfile que desloca a moda de gala para o domínio doméstico.

Ali, onde a realeza francesa um dia buscou repouso, o diretor criativo propôs o luxo silencioso de se arrumar apenas para si mesmo. A coleção se desenrola como um estudo sobre o conforto elevado à categoria de refinamento. Ghesquière, tantas vezes associado ao futurismo estrutural, explora agora texturas acolhedoras por meio de casacos com toque de pelúcia, tricôs macios, shapes que evocam robes, togas e peças que parecem emergir de quartos ensolarados.

Há uma certa graça particular na forma como ele transforma elementos da casa em criações rebuscadas. Bordados que lembram jardins impressionistas, sedas escovadas que simulam pele e rendas e discos de madeira aplicados com precisão quase artesanal. Mesmo os experimentos mais ousados encontram leveza e humor, como se a roupa pudesse respirar junto ao corpo.

Em um momento em que tantas marcas renegociam identidades, a Vuitton escolhe um caminho mais introspectivo. Em vez de espetáculo, um convite a redescobrir o prazer de vestir-se no ritmo calmo da própria casa e, acima de tudo, reconhecer, nisso, um novo tipo de luxo.