Leandro Hassum celebra onze anos de bariátrica e nutróloga explica: ‘Não é fraqueza’
Ator relembra transformação após a cirurgia e especialista detalha desafios emocionais pouco falados

Aos 52 anos, Leandro Hassum celebrou, no Instagram, os 11 anos desde que realizou a cirurgia bariátrica. O ator publicou um vídeo reunindo imagens do “antes e depois” e falou abertamente sobre sua luta contra a obesidade. “É meu segundo aniversário”, escreveu ele. A postagem viralizou nas redes, reacendendo uma discussão importante: o que acontece com o corpo — e principalmente com a mente — tantos anos depois da cirurgia? Para aprofundar o tema, conversamos com a nutróloga Dra. Ana Luisa Vilela, que acompanha pacientes bariátricos há anos e explica como o processo emocional continua mesmo depois da estabilização do peso.
Etapa desafiadora
Segundo a nutróloga, muitos pacientes acreditam que a etapa mais difícil acaba quando o peso se estabiliza. Não é bem assim. De acordo com ela, a mudança emocional costuma ser mais lenta. “A imagem corporal que não acompanha a mudança”, comenta. Esse descompasso pode gerar medo de engordar novamente, insegurança com a nova forma física e até a sensação de que é preciso corresponder ao corpo novo. Conforme explica a especialista, a bariátrica mexe na estética, sim — mas mexe ainda mais na identidade.
Existe um luto alimentar após a bariátrica?
Existe — e é legítimo. Como destaca a nutróloga, comer nunca foi apenas ingerir alimentos. É afeto, convívio, celebração, acolhimento. “Quando isso muda de forma radical, é natural sentir saudade. Não é fraqueza, é humanidade”, afirma. Para ela, negar esse luto emocional é prejudicial. Reconhecer e acolher a saudade ajuda o paciente a manter o equilíbrio a longo prazo.
Conforme explica a médica, a virada acontece quando o paciente percebe que não é apenas vestir um novo número, mas ocupar um novo lugar no mundo. A forma de se ver — e de ser visto — muda completamente. “Às vezes vem confiança. Às vezes vem estranhamento. Às vezes vem alegria. Às vezes vem silêncio. Tudo isso é normal”, diz.
O que nunca volta a ser igual?
A especialista reforça que “voltar a comer como antes” é um mito perigoso. O corpo realmente muda sua forma de absorver, digerir e sinalizar fome e saciedade. “A manutenção não é o fim da jornada. Ela é a própria jornada”, destaca.
Segundo a nutróloga, existe uma memória metabólica do corpo que já foi obeso. Por isso, oscilações podem ocorrer mesmo anos depois. “Isso não é fracasso do paciente. É biologia. Por isso o acompanhamento contínuo é tão importante — não para vigiar, mas para sustentar.”, explica.
Os erros mais comuns no longo prazo
A médica aponta os deslizes frequentes após muitos anos de bariátrica:
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achar que está tudo resolvido;
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voltar aos hábitos antigos sem perceber;
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abandonar o acompanhamento emocional;
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acreditar que pedir ajuda é sinal de fraqueza.
Para ela, o caminho é outro: revisão periódica, acolhimento e gentileza com o processo.
Com a desinflamação do corpo e o reequilíbrio hormonal, muitos pacientes sentem a vida reacender. “Não é só sobre pesar menos. É sobre viver mais”, diz a Dra. Ana Luisa.
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