Após descobrir hipermobilidade, Juliette viraliza com movimento flexível; ortopedista explica condição

Médico detalha o que é hipermobilidade articular, por que algumas pessoas apresentam movimentos tão amplos como os de Juliette

Juliette - Fotos: Instagram

A repercussão do vídeo em que Juliette descobre ter hipermobilidade articular — mostrando um movimento surpreendente com a mão — despertou curiosidade entre fãs e especialistas. Para explicar o que está por trás dessa flexibilidade acima da média, o ortopedista Dr. Carlos Cedano detalhou o que caracteriza a condição, como ela é diagnosticada e quais cuidados devem ser observados.

O que é hipermobilidade articular?

Segundo o Dr. Cedano, a mobilidade ou flexibilidade das articulações depende principalmente de dois fatores: os ligamentos, que unem um osso ao outro, e o alongamento muscular. Ele explica que manter boa mobilidade é essencial para prevenir dores e lesões, motivo pelo qual os exercícios de alongamento são recomendados.

No entanto, de acordo com o especialista, algumas pessoas apresentam uma amplitude de movimento maior que a da maioria devido à frouxidão ou elasticidade dos ligamentos — o que caracteriza a hipermobilidade articular. Em casos menos frequentes, ela pode estar ligada a condições genéticas como a Síndrome de Ehlers-Danlos ou a Síndrome de Marfan. “Mas na imensa maioria das vezes, ela ocorre isoladamente e é chamada de Síndrome de Hipermobilidade Articular”, afirma.

Quem tem mais chances de apresentar a condição?

Conforme o ortopedista, a síndrome é relativamente comum, principalmente entre crianças, adolescentes e adultos jovens. Ele destaca que até 20% das pessoas nessa faixa etária podem apresentar o quadro, com prevalência maior entre mulheres. A tendência é que a hipermobilidade diminua com o avanço da idade.

Apesar de não ser considerada um problema em grande parte dos casos, o especialista esclarece que algumas pessoas podem ter estalidos frequentes e dores articulares. Em geral não é um problema,  mas pode, em parte dos indivíduos, causar estalidos e dores  articulares. Deslocamentos articulares (luxações) são raros”, completou.

Como é feito o diagnóstico?

De acordo com o Dr. Cedano, o diagnóstico é clínico, como no caso de Juliette e não depende de exames de imagem ou de sangue. “Exames de sangue ou de imagem não ajudam nesses casos”, reforça. Ele explica que muitas pessoas passam a vida toda sem saber que têm hipermobilidade — como aconteceu com Juliette no vídeo que viralizou.

Tratamento e cuidados para quem tem hipermobilidade

Segundo o especialista, o tratamento é individualizado e depende da presença ou não de sintomas. Ele enfatiza que a educação do paciente sobre limites articulares é fundamental para evitar lesões.

O médico alerta especialmente sobre o hábito de estalar as juntas.Pacientes que desenvolvem o hábito de estalar voluntariamente as juntas devem ser desestimulados a fazê-lo para evitar lesões, a longo prazo,  a essas articulações, esclarece.

Sobre atividades físicas, Cedano recomenda exercícios, desde que com orientação adequada. Acompanhamento profissional no início é importante até que o paciente compreenda como realizar os movimentos de forma segura. O fortalecimento muscular é considerado essencial para proteger as articulações.

Por outro lado, o ortopedista orienta que algumas modalidades podem sobrecarregar as articulações hiperflexíveis, como ginástica olímpica. Isso pode gerar lesões futuras. Quando há dor, o tratamento deve priorizar métodos não medicamentosos, como gelo e repouso. Analgésicos simples podem ser utilizados em casos pontuais.

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Dr. Carlos Cedano é médico (CRM 84.635 SP) formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em Ortopedia, Traumatologia (RQE 63980), Cirurgia da Mão e Microcirurgia pelo HC / USP. Com MBA em Gestão em Saúde pelo Einstein/Insper é Membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia e Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão e Examinador na prova para obtenção do Título de Ortopedia pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Atualmente é Coordenador da equipe de Ortopedia e Traumatologia do Hospital Regional de Cotia e Coordenador da Residência Médica de Ortopedia e Traumatologia do Hospital Regional de Cotia. Preceptor do Curso de Ortopedia da Universidade Cidade de São Paulo (UNICID) e atende em consultório particular em Alphaville, em SP. @drcarloscedano