Após descobrir hipermobilidade, Juliette viraliza com movimento flexível; ortopedista explica condição
Médico detalha o que é hipermobilidade articular, por que algumas pessoas apresentam movimentos tão amplos como os de Juliette

A repercussão do vídeo em que Juliette descobre ter hipermobilidade articular — mostrando um movimento surpreendente com a mão — despertou curiosidade entre fãs e especialistas. Para explicar o que está por trás dessa flexibilidade acima da média, o ortopedista Dr. Carlos Cedano detalhou o que caracteriza a condição, como ela é diagnosticada e quais cuidados devem ser observados.
O que é hipermobilidade articular?
Segundo o Dr. Cedano, a mobilidade ou flexibilidade das articulações depende principalmente de dois fatores: os ligamentos, que unem um osso ao outro, e o alongamento muscular. Ele explica que manter boa mobilidade é essencial para prevenir dores e lesões, motivo pelo qual os exercícios de alongamento são recomendados.
No entanto, de acordo com o especialista, algumas pessoas apresentam uma amplitude de movimento maior que a da maioria devido à frouxidão ou elasticidade dos ligamentos — o que caracteriza a hipermobilidade articular. Em casos menos frequentes, ela pode estar ligada a condições genéticas como a Síndrome de Ehlers-Danlos ou a Síndrome de Marfan. “Mas na imensa maioria das vezes, ela ocorre isoladamente e é chamada de Síndrome de Hipermobilidade Articular”, afirma.
Quem tem mais chances de apresentar a condição?
Conforme o ortopedista, a síndrome é relativamente comum, principalmente entre crianças, adolescentes e adultos jovens. Ele destaca que até 20% das pessoas nessa faixa etária podem apresentar o quadro, com prevalência maior entre mulheres. A tendência é que a hipermobilidade diminua com o avanço da idade.
Apesar de não ser considerada um problema em grande parte dos casos, o especialista esclarece que algumas pessoas podem ter estalidos frequentes e dores articulares. “Em geral não é um problema, mas pode, em parte dos indivíduos, causar estalidos e dores articulares. Deslocamentos articulares (luxações) são raros”, completou.
Como é feito o diagnóstico?
De acordo com o Dr. Cedano, o diagnóstico é clínico, como no caso de Juliette e não depende de exames de imagem ou de sangue. “Exames de sangue ou de imagem não ajudam nesses casos”, reforça. Ele explica que muitas pessoas passam a vida toda sem saber que têm hipermobilidade — como aconteceu com Juliette no vídeo que viralizou.
Tratamento e cuidados para quem tem hipermobilidade
Segundo o especialista, o tratamento é individualizado e depende da presença ou não de sintomas. Ele enfatiza que a educação do paciente sobre limites articulares é fundamental para evitar lesões.
O médico alerta especialmente sobre o hábito de estalar as juntas. “Pacientes que desenvolvem o hábito de estalar voluntariamente as juntas devem ser desestimulados a fazê-lo para evitar lesões, a longo prazo, a essas articulações”, esclarece.
Sobre atividades físicas, Cedano recomenda exercícios, desde que com orientação adequada. Acompanhamento profissional no início é importante até que o paciente compreenda como realizar os movimentos de forma segura. O fortalecimento muscular é considerado essencial para proteger as articulações.
Por outro lado, o ortopedista orienta que algumas modalidades podem sobrecarregar as articulações hiperflexíveis, como ginástica olímpica. Isso pode gerar lesões futuras. Quando há dor, o tratamento deve priorizar métodos não medicamentosos, como gelo e repouso. Analgésicos simples podem ser utilizados em casos pontuais.
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