Gravidez na adolescência é tema de ‘Três Graças’; especialista explica impactos físicos e emocionais

A CARAS Brasil conversou com ginecologista e especialista em adolescentes para entender os riscos físicos e emocionais da gravidez na adolescência, retratada em Três Graças

Gravidez na adolescência é tema de 'Três Graças'; especialista explica impactos físicos e emocionais
Gravidez na adolescência é tema de 'Três Graças'; especialista explica impactos físicos e emocionais - Reprodução/Instagram

A novela Três Graças, exibida na faixa das 21h na TV Globo, tem emocionado o público ao abordar a gravidez na adolescência por meio da história de Joélly, uma menina de 15 anos que descobre estar grávida e vê sua vida mudar completamente. O enredo, que atravessa três gerações de mulheres que também se tornaram mães muito jovens, aproxima a ficção de uma dura realidade ainda presente no Brasil.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, mais de 400 mil meninas entre 10 e 19 anos engravidam todos os anos no país. E, segundo especialistas, a gestação precoce traz riscos não apenas emocionais, mas também físicos, já que o corpo da adolescente ainda não está totalmente preparado para a maternidade.

Entendendo a gravidez na adolescência com uma profissional

Quem comenta o tema é a ginecologista e especialista em adolescentes, Dra. Ana Paula Fonseca, que reforça a importância de informação, acolhimento e acompanhamento médico desde o início.

“A gravidez na adolescência é uma das situações mais delicadas da ginecologia. O corpo ainda está em desenvolvimento, os hormônios estão se ajustando, e a jovem não tem maturidade emocional nem física completa para lidar com as mudanças da gestação”, explica a médica.

Durante a adolescência, o organismo feminino ainda passa por intensas alterações hormonais e estruturais, o que torna a gestação uma sobrecarga.

“O útero e a pelve de uma adolescente ainda estão em crescimento. Isso aumenta o risco de parto prematuro, baixo peso do bebê e até complicações obstétricas, como a pré-eclâmpsia”, detalha Dra. Ana Paula.

Riscos e consequências

“Quando a gestação acontece muito cedo, o corpo da adolescente pode sofrer com deficiências nutricionais, anemia e alterações no desenvolvimento ósseo. É fundamental um acompanhamento rigoroso, com orientação médica e apoio multidisciplinar”.

Na trama, Joélly enfrenta o medo do julgamento e o abandono afetivo, sentimentos que, segundo a médica, são comuns entre meninas que passam por uma gestação precoce.

“É um turbilhão de emoções. A adolescente sente medo, vergonha e insegurança. Em muitos casos, há rejeição da família ou do parceiro, o que agrava a solidão e aumenta o risco de ansiedade e depressão pós-parto”, comenta a especialista.

Para ela, o acolhimento emocional é tão importante quanto o acompanhamento físico. “Quando a jovem se sente apoiada e compreendida, ela consegue viver esse momento com mais segurança e menos culpa. É preciso ouvir, orientar e cuidar, não apontar o dedo.”

Dra. Ana Paula reforça que a prevenção começa em casa, com informação e diálogo aberto sobre o corpo e a sexualidade. “Falar sobre sexo e métodos contraceptivos não incentiva ninguém. Pelo contrário: é a forma mais eficaz de proteger. Muitas meninas engravidam porque não entendem seu ciclo menstrual, não têm acesso a anticoncepcionais ou não se sentem à vontade para pedir ajuda”, explica.

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A médica lembra ainda que o acompanhamento ginecológico pode. e deve, começar antes do início da vida sexual. “Consultas preventivas ajudam a esclarecer dúvidas e construir uma relação de confiança com o profissional. Isso faz diferença na forma como a adolescente se vê e cuida do próprio corpo”.

Sensível e atual, Três Graças tem cumprido um importante papel social ao retratar o tema com empatia e realismo. Para Dra. Ana Paula, histórias como a de Joélly ajudam a abrir conversas necessárias.

“Quando a televisão mostra a realidade de tantas jovens, ela desperta a sociedade para o que está acontecendo fora das telas. É um convite à reflexão e à ação. Precisamos acolher essas meninas, não julgá-las. Ser mãe é lindo, mas deve ser uma escolha, não uma consequência. Conhecer o corpo, se cuidar e buscar informação são atitudes que protegem sonhos e constroem futuros mais saudáveis”.

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Ana Paula Fonseca (CRM-PA 9027 | RQE 3929) é médica ginecologista e obstetra com sólida atuação em saúde de adolescentes e mulheres. Graduada pela Universidade do Estado do Pará (UEPA) em 2007, concluiu residência médica em Ginecologia e Obstetrícia na Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará, onde atuou por 11 anos. Com ampla experiência em instituições renomadas como Unimed Belém, Fundação Hospital das Clínicas Gaspar Viana, Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará, e Hospital Adventista de Belém, a Dra. Ana Paula é referência no tratamento de distúrbios menstruais, miomas, síndrome dos ovários policísticos (SOP), cistos ovarianos e no atendimento de adolescentes e mulheres em um atendimento acolhedor e humanizado. Além da prática clínica, também se dedica ao ensino médico no Centro Universitário do Estado do Pará (CESUPA).