Bem-estar e Saúde / SUPERAÇÃO

Psicóloga analisa o luto de Li Martins e explica como transformar sofrimento em força: ‘Delicado’

Marido de Li Martins, o ex-A Fazenda JP Mantovani morreu em um trágico acidente de moto em setembro deste ano

Li Martins
Li Martins (Foto: Reprodução/YouTube)

Li Martins falou pela primeira vez sobre a morte do marido, o ex-A Fazenda JP Mantovani, em entrevista ao podcast PodDelas nesta quinta-feira, 23. A ex-Rouge tem encontrado forças na filha, Antonella, para superar o luto. “É ela quem me dá força e coragem”, afirmou.

Em entrevista à CARAS Brasil, a psicóloga Larissa Fonseca destacou a importância da forma como a notícia da morte é comunicada. “Dar uma notícia de morte é um dos gestos mais delicados e que requer extrema empatia e cuidado. Não se trata apenas de informar um fato, mas de cuidar de quem vai receber a informação. O ideal é que a comunicação seja direta, e antes de tudo, preparar o ambiente. Convidar a pessoa a se sentar, avisar que algo difícil será dito, e só então apresentar a informação. O tom de voz, o tempo entre as palavras e até o silêncio entre as frases fazem parte da notícia. A forma como a dor chega pode contribuir para que essa elaboração não seja ainda mais complexa”, explica.

Segundo Larissa, o luto é um processo individual, e cada pessoa encontra uma maneira de reorganizar o mundo após a perda. “Diante da perda, é comum que a mente tente buscar respostas para o que não pode mais ser mudado. O luto começa com perguntas que nos aprisionam. E se eu tivesse feito diferente? Por que não disse o que sentia? Eu estava pressentindo algo e não avisei. Como uma tendência a se culpar. O luto se constrói a partir do que foi vivido. O afeto que existiu é o que permanece. E nos recordarmos do que foi bom, de símbolos como músicas, fotos e momentos é muito importante em momentos que cada um esteja preparado”, reflete.

A psicóloga também ressaltou o valor dos gestos simbólicos na reconstrução emocional. “Transformar a dor em símbolo é uma das formas mais potentes de elaboração. Quando a filha da Li Martins escreve o nome do pai num tsuru e a luz se apaga, o que poderia ser só ausência vira presença simbólica. A linguagem do luto é feita de gestos sutis que ajudam a organizar o que por dentro ainda está quebrado. A memória vira abrigo. O que era dor se transforma em gesto de amor.”

Por fim, Larissa destaca que falar sobre o tema, como Li fez em um podcast, é uma maneira de dar voz ao que antes era silêncio. “Falar sobre a perda, como ela fez no podcast, também é um rito. Um modo de dar contorno ao que parece sem forma. Cada um encontra um caminho. O luto não é sobre apagar alguém. É sobre transformar aquele amor em algo que nos habita de outro jeito. A pessoa que se foi segue existindo em tudo o que nos deixou. E o que permanece não é a morte, é o impacto de uma vida que ainda fala dentro da gente”, finaliza. 

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Larissa Fonseca Psicóloga Clínica* - CRP 06/113289 Doutoranda Unifesp em Ansiedade, Depressão, Estresse, Sono e Sexualidade Feminina Pós Graduação na Universidade Federal de São Paulo Psicóloga Clínica há 16 anos com abordagem cognitiva comportamental. Comunicadora com formação há 22 anos habilidade em linguagem e redação Especialista clínica em Ansiedade, Crise de Pânico, Burnout e Sono. Desenvolvedora de programas de saúde mental corporativa e treinamentos em liderança. Capacitação em psicologia do sono (instituto do sono). Psicofarmacologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUS-HC), Terapia Breve em Emergências pelo instituto Foccus. Membro da Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP) e Membro da Associação Brasileira de Sono (ABS)