Mônica Martelli quebra tabus sobre terapia hormonal; especialista esclarece os mitos sobre câncer de mama
Ginecologista esclarece dúvidas sobre riscos reais da terapia hormonal para mulheres com histórico familiar de câncer de mama como Mônica Martelli

Recentemente, Mônica Martelli revelou em entrevista à revista Marie Claire que foi desencorajada por médicas a usar terapia hormonal durante a menopausa por conta do histórico de câncer de mama da mãe, que havia tido a doença duas vezes. A atriz destacou como informações equivocadas ainda cercam o tema, gerando dúvidas e receios entre mulheres que passam por essa fase da vida.
Para esclarecer esses mitos, conversamos com o ginecologista Dr. Igor Padovesi, especialista em saúde da mulher.
A relação entre terapia hormonal e câncer de mama
Segundo o Dr. Padovesi, “a relação que existe, em linhas gerais, é neutra. Pode ter um pequeno aumento ou uma pequena redução de risco, dependendo do tipo de terapia que é analisada, mas isso é pouquíssimo relevante em linhas gerais. Só faz diferença quando se olha números populacionais, em milhares de mulheres. Do ponto de vista individual, a relação é basicamente neutra, praticamente desprezível. Pode existir um discreto aumento de risco, dependendo do tipo de hormônio que é utilizado, no caso das progesteronas sintéticas. E no caso do uso do estrogênio isolado pode existir um discreto efeito de proteção. Isso é comprovado, já tem bastante evidência nesse sentido”.
Ele explica que o tipo de hormônio influencia no risco: o estrogênio isolado pode até trazer uma pequena redução de risco, enquanto as progesteronas sintéticas podem apresentar um discreto aumento. Já a terapia hormonal moderna, que utiliza hormônios bioidênticos, estradiol transdérmico e progesterona natural micronizada, não aumenta o risco e pode até ter efeito de proteção. Segundo Padovesi, “o mais importante de tudo é dizer que não existe aumento do risco, como ainda é uma coisa que está na cabeça das pessoas e que não tem fundamento científico mais”.
Tipos de terapia hormonal e tempo de uso
A terapia hormonal pode ser feita com estrogênio isolado, no caso das mulheres que já retiraram o útero, ou com progesterona combinada, que equilibra os efeitos do estrogênio no útero. Ainda conforme o médico, estudos mostram que o estrogênio isolado não aumenta o risco de câncer de mama e, com as progesteronas sintéticas, o aumento é pequeno, do ponto de vista individual.
Quanto ao tempo de uso, o especialista explica que, no caso das progestinas sintéticas, uma exposição mais longa por mais anos está associada a um pequeno aumento de risco, mas isso é desprezível do ponto de vista individual. Já na terapia hormonal moderna, neutra em relação ao câncer de mama, o tempo de uso não altera o risco.
Histórico familiar e contraindicações
Padovesi ressalta que nenhuma mulher deve deixar de usar terapia hormonal por histórico familiar de câncer de mama. Apenas em casos raros, com múltiplos casos na família, recomenda-se investigação genética e acompanhamento especializado. O histórico pessoal de câncer de mama, sim, é uma contraindicação, mas mulheres que tiveram a doença podem discutir riscos e benefícios com o médico, dependendo do tipo de câncer e do tempo de tratamento.
Mitos sobre terapia hormonal
Entre os principais mitos, Padovesi destaca que o uso de terapia hormonal não causa câncer de mama. O câncer tem origem genética, e os hormônios não provocam a doença. No caso de mulheres que já têm câncer, o hormônio pode, eventualmente, acelerar o crescimento, mas isso não altera a rotina de exames, que deve continuar sendo anual.
O especialista também lembra que fatores como sobrepeso, obesidade, álcool, alimentação desequilibrada e sedentarismo aumentam muito mais o risco de câncer de mama do que a terapia hormonal moderna.
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