Adriane Galisteu fala sobre diagnóstico e solidão na menopausa; médico explica: ‘É uma fase de transição profunda’
Adriane Galisteu comentou os desafios emocionais da menopausa; à CARAS Brasil, o ginecologista Dr. Igor Padovesi destaca que muitas mulheres passam pela experiência

A apresentadora Adriane Galisteu compartilhou recentemente com os fãs das redes sociais um desabafo sobre sua saúde. Em uma série de vídeos, ela contou que precisou ir ao hospital após sentir dores nas pernas durante um treino, sendo diagnosticada com Síndrome do Piriforme. “Bom, gente, descobrimos o que eu tenho, já é um bom caminho”, disse ela, explicando que o músculo afetado fica profundo no quadril, ao lado do ciático, mas sem relação direta com ele. O relato sobre a própria saúde abriu espaço para lembrar que Adriane também tem abordado temas importantes ligados à saúde feminina. Pouco tempo atrás, em entrevista à Marie Claire, ela falou sobre a solidão na menopausa, uma experiência que muitas mulheres enfrentam, mesmo cercadas de familiares e amigos.
“Mesmo com família, amigos por perto, muitas mulheres sentem que ninguém realmente entende o que elas estão vivendo, física e emocionalmente. É uma fase de transição profunda que o corpo muda, evidentemente, a mulher passa a não se reconhecer muito no próprio corpo, não só fisicamente, mas também do ponto de vista emocional, de disposição, a energia que tinha muda, principalmente quando a mulher passa por isso sem tratamento adequado, sem terapia hormonal. E isso inevitavelmente leva muitas mulheres a um isolamento silencioso”, explica o Dr. Igor Padovesi, ginecologista e autor do livro Menopausa Sem Medo.
Mudanças e a sensação de isolamento
O especialista detalha ainda que as mudanças físicas e emocionais da menopausa contribuem para a sensação de isolamento. Os sintomas da menopausa, como alterações de humor, irritabilidade, sintomas depressivos para muitas, insônia, piora significativa da libido, cansaço, fadiga, dores no corpo podem afetar o comportamento social, a disposição da mulher.
“E também tem a questão de uma redefinição da identidade, que muitas mulheres se veem em uma fase de uma reinvenção forçada e começam a questionar os seus papéis como mãe, como profissional, como esposa e tem também o medo de envelhecer, queda da autoestima, a perda da fertilidade biológica que também desperta para muitas mulheres reflexões sobre o valor pessoal, o lugar da mulher no mundo e aí tudo isso acaba levando a um afastamento às vezes emocional, isolamento e solidão”, revela o médico.
Dr. Igor reforça que o tabu em torno da menopausa ainda contribui para dificultar o diálogo e aumentar a sensação de solidão. Segundo Igor, por muito tempo falar sobre esse tema era algo impróprio, como se fosse algo vergonhoso, uma espécie de fraqueza, um momento de vulnerabilidade que não deveria ser compartilhado.
“E aí isso impediu o diálogo. E o diálogo, falar abertamente sobre o assunto, ver outras mulheres compartilhando também que passam pela mesma situação, é justamente o que mais alivia. E quando a mulher sente que ela não pode falar sobre o que ela está vivendo, muitas vezes nem com parceiro, nem no trabalho, muitas não falam nem com as amigas, ela acaba se calando e esse silêncio se transforma em solidão. E felizmente isso tem mudado aos poucos com a chegada desse tema para o grande público nos últimos anos”, concluiu o especialista.
Acolhimento
Por fim, ele destaca como amigos, familiares e parceiros podem apoiar melhor as mulheres nessa fase: “O primeiro passo é ouvir e acolher, sem minimizar os sintomas, que é o que frequentemente acontece. E evitar comentários do tipo ‘é normal da idade’ ou ‘vai passar’, que são comentários que podem parecer inofensivos, mas invalidam a experiência da mulher”.
Segundo o médico, também é importante que quem está junto da mulher, além de ter empatia e paciência, incentive para que ela busque informação e cuidado. O parceiro também pode se informar junto, entender as mudanças significativas que acontecem com a mulher do ponto de vista físico, hormonal, psíquico, e participar ativamente do processo. E já os amigos e familiares podem contribuir, lembrando que essa fase não é o fim de nada, na verdade é uma transformação, início de uma nova etapa, que pode ser muito rica e plena.
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